segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Consciência sanitária



De acordo com a teoria da sexualidade de Freud: Fase fálica – [...]. Na menina esta constatação determina o surgimento da “inveja do pênis” e o consequente ressentimento para com a mãe “porque esta não lhe deu um pênis, o que será compensado com o desejo de ter um filho.”

No último sábado fui numa festa de casamento. Estava simplesmente sensacional. Tomei todas em homenagem aos noivos (e a minha sogra: piada interna – não é para vocês entenderem...). Como o meu negócio é “gelada”, fui ao banheiro inúmeras vezes.

Nunca li estatística sobre isto (até porque acho pouco provável que algum idiota se dê a este trabalho), mas ouso arriscar que boa parte da tal inveja feminina deve-se a um único fato: mijar em pé com uma simples abertura de zíper.

O mictório (urinol ou mijadouro) é uma das invenções mais práticas da humanidade. Mesmo usando terno e gravata é possível esvaziar a bexiga sem grande transtorno. A mulherada de vestido longo adoraria benesse equivalente!

Agora, elas não devem saber que, além da tal facilidade, o mictório é um local excelente para meditação, no qual são feitas grandes e relevantes reflexões. Tá, sei que alguns usuários gastam este sublime momento para mirar o regador do vizinho e outros só estão ali para verter água mineral.

Contudo, a grande maioria, que conhece as benfeitorias do álcool, desliga-se do mundo exterior e volta a atenção para dentro de si. Alguns chegam a entoar mantras budistas: Sial, aku sangat mabuk! (Caralho, tô muito bêbado!) ou Sialan, hanya punya panas di jalang ini! (Cacete, só tem gostosa nesta porra!).

E o interessante é que o indivíduo sai dali leve – física e espiritualmente –, com um sorriso no rosto, como se tivesse atingido o nirvana (trata-se, em verdade, de ilusória e mundana sensação, já que em poucos minutos ele continuará insatisfeito – o que exige novo exercício de iluminação – e o nirvana sem sexo – tese minha – é impossível!).

Há relatos de praticantes que, desprovidos de mictórios em suas residências (normalmente só existem vasos com tampas objeto de muita discussão matrimonial), tentaram aprendizado semelhante em impressoras (tempestivamente interrompido pelos berros da esposa) e outros que chegaram ao ápice da concentração no próprio guarda-roupas (as gargalhadas da acompanhante não foram suficientes para tirar o rapaz do transe; somente o xixi e a cuspidela ao lado foram provas incontestes de que corpo e espírito estavam em planos diversos).

Portanto, ao avesso do que propala o senso comum, uma mijada pode não ser apenas o resultado de uma necessidade fisiológica: com a devida contemplação, tranquilidade e respiração cadenciada, constitui verdadeiro instrumento de apaziguamento e satisfação d’alma.

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