quarta-feira, 20 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Psicologia, comunicação e calcinhas legíveis





Rubem Fonseca muitos anos atrás já relatava que a comunicação interespécies era um fato. Mediante versos ele contou a história de uma mulher que viveu um matrimônio de dois anos e meio com um golfinho (do tipo delphinus delphis). O romance não teve um final feliz e nas palavras da mulher pela pena do escritor: "mas eu peguei uma pneumonia / no fundo da nossa piscina escura, / e sem mais nem menos, / acabamos." Cogito que a mulher falasse muito e o golfinho não correspondesse às necessidades dela de discussão da relação.


A experiência de comunicação interespécies mais conhecida é o caso da gorila Koko que foi treinada a partir de um ano de idade por cientistas da Universidade de Stanford para se comunicar com humanos mediante linguagem de sinais, bem como, foi ensinada a cuidar de um gato como animal de estimação (a gorila seria o único animal não-humano a ter um animal de estimação de outra espécie segundo a Wikipedia). Não consta que a gorila tenha expressado algo digno de nota após aprender a "dialogar" por sinais. Sim, a gorila era fêmea (não poderia ser diferente) e se chamava Koko.


Paradoxalmente a comunicação entre os gêneros da mesma espécie humana (masculino e feminino) parece cada vez mais atravancada com o passar do tempo. A verdade é que homens e mulheres têm atitudes antagônicas de comunicação. Tal conclusão é de um grupo de psicólogos da Universidade de Viena que realizou eletroencefalogramas em homens e mulheres (todos eles tradutores simultâneos de profissão) e constatou diferenças fundamentais entre os gêneros no modo de compreender e falar. O estudo mostrou que as mulheres utilizariam mais a metade direita do cérebro (associativo e emocional), por sua vez os homens trabalhariam mais com o hemisfério encefálico esquerdo (lógico e analista). Restou a conclusão, a meu ver um tanto quanto previsível posto que o próprio senso comum já diz isso, que as mulheres teriam uma maior capacidade intuitiva na interpretação dos sinais comunicativos. Os homens naturalmente falam menos e assim as mulheres teriam desenvolvido o chamado sexto sentido, ou seja, uma apuração melhor na leitura dos parcos sinais comunicativos expelidos pelos machos.


A psicóloga austríaca Rotraud Perner registra que o problema de comunicação entre homem e mulher não era tão aparente no passado porque era considerado normal que falassem pouco, porém nos dias de hoje com a emancipação feminina (igualdade entre os sexos) as mulheres passaram a exigir um diálogo com o homem no mesmo nível.


Desenvolvendo tal idéia constata-se que é por isso que surgem os problemas de comunicação entre os gêneros: a intuição dos homens (sexo masculino) não foi desenvolvida suficientemente porque as mulheres falam demais. A verdade dói. Em resumo, as mulheres falando em excesso oprimiram os homens que ao se aquietarem contribuíram no desenvolvimento do sexto sentido feminino em detrimento do sexto sentido dos machos. Um círculo vicioso. Logo, não podem as mulheres, depois de conquistada a libertação feminina, cobrarem a ferro e fogo que os homens tenham o mesmo nível de intuição delas mulheres faladoras-linguarudas insuperáveis, nível este que já vem sendo burilado desde o antanho das cavernas.


A recomendação básica dos cientistas para apaziguar as vicissitudes na comunicação homem-mulher é a paciência. A mulher deve sempre aguardar por um momento propício em um ambiente relaxado para tentar a comunicação com o homem.


São Francisco de Assis que viveu na Idade Média já falava com os animais e em datas atuais a esposa não consegue conversar com seu marido. Uma anedota diz que as mulheres falam mais que os homens por que estes não compreendem de primeira o que as mulheres querem dizer. Um calmante para conter a "parolação" infernal das mulheres seria um boneco-robô que de tempo em tempo repetisse algumas palavras: sim / certo / você tem razão / sim / certo / você tem razão... Mas isto não resolveria totalmente o problema de comunicação.


Acredito que o melhor artifício criado para combater a incompatibilidade na comunicação entre os sexos foi a calcinha legível (com escrevinhações das mais variadas). Paciência e um ambiente relaxado, como recomendado pelos cientistas, ademais, a mensagem a ser transmitida no caso está estampada precisamente nos centímetros exatos no qual se volta o foco do receptor da mensagem (homem). Não há desvio de atenção. Nada se perde. É a forma perfeita de uma mulher passar uma mensagem para um homem heterossexual. As calcinhas legíveis apresentam-se como um menu que precede uma refeição e que deve obrigatoriamente ser lido.


As calcinhas legíveis mais tradicionais, embora simples, repassam mensagens agradáveis que podem ser úteis à mulher no início do adestramento do seu macho, tais como: "Seja bem vindo"; "Melhor ser ingerida quente" e "Entre sem bater"...


Já podem também ser encontrada no mercado uma linha de calcinhas profissionais: "Aberta para negócios"; "50% de desconto só hoje"; "All you can eat" e "Show me the money"...


Com inspiração em frases famosas do cinema essas são as calcinhas mais interessantes: "Eu vou lhe fazer uma proposta que ele não pode recusar" (O poderoso chefão); "Que a Força esteja com você" (Guerra nas estrelas); "Adoro o cheiro de napalm pela manhã" (Apocalypse Now); "Eu vejo gente morta" (Sexto sentido) e "Diga olá para a minha amiguinha" (Scarface).


Ainda, apresento aos leitores algumas da linha de ditados e provérbios: "Devagar se vai longe"; "Antes tarde do que nunca" e "Água mole em pedra dura tanto bate até que fura".


As calcinhas legíveis filosóficas certamente serão um sucesso. Confira as mais emblemáticas: "Só sei que nada sei" (Sócrates); "O inferno são os outros" (Sartre); "Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você" (Friedrich Nietzsche); "Só há um tempo em que é fundamental despertar. Esse tempo é agora" (Buda); "Há esperanças, menos para nós" (Kafka) e "A imaginação é mais importante que o conhecimento." (Albert Einstein).


Mulheres do tipo Maria-Gasolina podem usar calcinhas com o símbolo da Shell ou Texaco, ao passo que uma novo-rica para se jactar de seus bens materiais poderá vestir uma que estampe a sentença: "Minha outra calcinha é uma Victoria's Secret".


As possibilidades são ilimitadas. Contudo, por certo o grande avanço a ser feito no que diz respeito às calcinhas legíveis será no campo da publicidade. Imagino o grande potencial propagandístico de anúncios em calcinhas de atrizes e modelos descuidadas que com frequência mostram os fundilhos na televisão, em revistas e em sites de sucesso. O espaço publicitário naquele visado triângulo é pequeno, porém a visibilidade sem dúvidas é fantástica!


Mesmo com o merchandising feito nas mulheres recatadas (desde que sejam gostosas) o retorno com a propaganda seria bom. Pensem comigo: quem traça uma gostosa é rico, logo é interessante para uma empresa de produtos de luxo ter sua marca atrelada a uma área tão nobre, tal qual uma placa publicitária em um clube de golfe que somente mostra-se para seus exclusivos sócios endinheirados. Enfim, penso em abrir a primeira agência de publicidade focada nestes anúncios. Empresários e, principalmente, moças gostosas: procurem-me!




Referências: 1. Rubem Fonseca. Âmbar gris poema no livro Lúcia McCartney - 2. Wikipedia, verbete Koko (gorila) - 3. Uma notícia da agência EFE no portal Terra (Homem e mulher têm atitudes opostas de comunicação).

quarta-feira, 13 de abril de 2011

CACHORRAS DA SEMANA

Amigos leitores,

Lamentamos informar que nesta semana não publicaremos fotos da cachorrinha premiada...

Em compensação, excepcionalmente, para deleite de todos, a seção elegeu a CAVALA DA SEMANA!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

METROSSEXUAIS

Dom Lona


Sem dúvida o homem macho ordinário, é uma minoria sem nenhuma representatividade social.

E digo isso porque com o surgimento do metrossexual, no final do século XX, o homem passou a ser um quarto gênero, completamente amassado na estratificação social.

Até então, para qualquer pessoa mediana, existiam homens, mulheres e gays, esses últimos podendo ser tanto uma derivação masculina quanto feminina.

De uma hora para outra, surge o metrossexual. Ele não é homem, não definitivamente ele não é. Vejam que no último BBB surge a pérola de uma das participantes dizendo não gostar de homem, pela sua rudeza, preferindo ao invés o metrossexual.

Pela ótica antiga, ele seria gay, mas aí surge o tertium genus, chamado metrossexual, já que ele não é gay. Para os machos ortodoxos, ele seria um “quase gay”.

O metrossexual pinta o cabelo, faz chapinha, depila o corpo, usa cremes de todos os tipos, tem 05 tubos de xampu no seu banheiro, faz a sobrancelha, se olha no espelho repetidas vezes e demora mais pra se arrumar que a sua mulher, mas, incrivelmente, não é gay! (acreditem ou não, também demorei para assimilar isso!!!)

Sua mão não tem calos, suas unhas são meticulosamente cortadas. O metrossexual é sensível, passou dos 30 anos e não tem barriga. Cuida de sua alimentação de forma extrema. Segundo informações do Jornal do Brasil, 40% da ocupação das clínicas de estética hoje é destinada a “homens”, para os mais variados tipos de tratamento.

E o que causa repulsa nos machos ordinários, vem cada vez mais conquistando espaço entre as mulheres. Ao que parece, as mulheres hoje estão preferindo esperar seu metrossexual se arrumar, do que serem importunadas enquanto trocam dez vezes de roupa antes de saírem de casa. Dividir o secador de cabelo com seu amado, parece não lhes causar nenhum constrangimento.

E como um homem pode se posicionar diante desta situação?

Hoje é muito complicado, já que a sociedade “evolui” para a intolerância às manifestações. Eu, por exemplo, não sei qual a forma mais adequada para me referir a um ser humano de cor escura. Negro, Preto?? Não sei! Ouço tanta coisa acerca de discriminação que realmente não sei o que dizer, muito embora saiba que a cor de uma pessoa diz tanto sobre ela quanto a foto de um prato no cardápio: nada. Tenho vários amigos afro descentes (desculpem se usei o termo errado), e confesso que NUNCA penso na cor deles quando conversamos.

O mesmo ocorre a homossexuais.

Antigamente chamávamos todos de gays ou bichas. Hoje não podemos. Dia desses falei a um conhecido que a sua opção sexual em nada mudava sua relação comigo. Fui prontamente corrigido, quando o mesmo disse que o termo opção sexual não era adequado, e que poderia ser ofensivo.

Vai entender...

E com os metrossexuais ocorre o mesmo.

Acho extremamente inapropriado que homens frequentem salões de beleza, e coisas do tipo.

Em minha opinião (provavelmente tacanha e provinciana), homem que é homem deve se comportar como tal e, além disso, fazer coisas de homem.

Quando falam sobre o político costumam dizer que ele não deve ser apenas honesto, ele deve “parecer” honesto.

Acho que o mesmo se aplica ao homem, e à mulher.

Assim como gosto de mulheres bem vestidas, preferencialmente de saias, cabelos compridos, perfumadas, depiladas, refinadas, sensíveis e emocionais, penso que o homem, ao seu modo deve agir como tal.

Na minha cabeça há um modelo de homem e mulher fundamental, num paralelo à norma fundamental de Kelsen.

Se a mulher deve ser da forma que descrevi, o homem, por sua vez, deve se portar como um macho, e o seu comportamento não deve nem chegar perto do comportamento dos metrossexuais.

Além disso, o homem deve fazer coisas de homem. Futebol, cerveja com amigos, arte marcial, mecânica de carros, marcenaria e todas essas coisas, transformam um macho da espécie humana, em um verdadeiro homem. Essas atividades lhe deixam cicatrizes, mãos calejadas, e acima de tudo, o tornam seguro, lhe dão autoconfiança. E se a mulher ideal é emocional, o homem deve ser o símbolo da razão, da racionalidade, do pragmatismo.

Convenhamos: se desde os tempos imemoriais as mulheres se adornavam para seduzir o homem, o macho sempre foi o provedor, o caçador, o protetor, e depilar seu peito ou “passar uma base” nas unhas, não o aproximam em nada de seu protótipo primitivo.

E não estou aqui criticando o fenômeno da metro sexualidade, longe disso. O que concluo, é que a criação desta nova segmentação social é extremamente apropriada, já que a distância entre o homem e o metrossexual é muito grande. Assim como um homem não quer ser confundido com uma mulher e um gay (que teve coragem de se assumir), quer deixar clara a sua sexualidade, nós homens, autênticos machos da espécie humana, não queremos correr qualquer risco de sermos vistos como os tais metrossexuais.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Notas de coluna social II





ASSUNTOS MAIS COMENTADOS DA SEMANA – Bruna Surfistinha é nos dias de hoje a autora de livros com maior penetração no cinema nacional. Eis uma escritora que sem dúvidas deu muito certo!


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Morreu José Alencar. Alguém certamente o imaginou no velório se levantando do caixão como um zumbi e dizendo: - eu não morri aindããããããã...


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Leitores amados: talvez a coluna desta semana não fique boa é que a escrevo muito cansado em decorrência da minha participação com acrisolado esprit de corps na despedida de solteiro do Príncipe William, festinha organizada pelo seu espirituoso irmão Harry. Fica tranquilo Willy que eu não vou contar nada aqui.


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EU LEMBRO BEM – Em entrevista à revista Vogue a top model Gisele Bündchen disse que só transou com cinco caras. Fiquei assustado que ela pudesse falar demais... E um cavalheiro nunca revela suas conquistas, mas contem comigo: tem o Leonardo Dicaprio, o Kelly Slater, o marido. Assim são quatro. Quem é o quinto?


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ANTIQUÁRIO – Há inúmeros colecionadores ligados em coisas de celebridades e famosos. Eu fico aqui pensativo a imaginar quanto um colecionador pagaria pela perna que o Roberto Carlos perdeu na infância. Alguma idéia?


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ANTIQUÁRIO 2 – A ficção é minúscula perto da realidade. A vida supera a arte. Eu juro que outro dia vi um homem numa sinaleira tentando vender um gramophone. A poesia incutida naquela cena real nenhum poeta consegue descrever.


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SAÚDE PÚBLICA – Aviso importante da FolhaTeen para os leitores acrobatas ousados (atenção para o primeiro parágrafo que é brilhante): http://ow.ly/4oPQm


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PARA PENSAR“Meu Deus, por que me sinto tão culpado? Será pelo ódio ao meu pai? Talvez tenha alguma coisa a ver com o incidente do bife à milanesa. Seja como for, o que o bife estava fazendo em sua carteira? Se eu tivesse ouvido seus conselhos, estaria fabricando chapéus até hoje. Lembro-me bem de suas palavras: ‘Fabricar chapéus – isto é que é profissão!’ Quando lhe disse que meu sonho era ser escritor, ele respondeu: ‘A única coisa que você poderia escrever seria em colaboração com uma coruja!’ Nunca descobri o que ele queria dizer com isso. Que homem triste!” (Woody Allen no livro Sem plumas).


Um bife à milanesa na carteira é sempre indesculpável. Mas o que o homem queria dizer sobre a coruja?


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MUTAÇÃO – Eu não sei como aconteceu, mas o coelho da Páscoa transmutou-se na galinha dos ovos de ouro. Vocês já viram os preços dos ovos de Páscoa?


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INVENÇÕES – Li recentemente que o avião e o relógio de pulso não foram inventados pelo brasileiro Santos Dumont. O avião foi inventado pelos irmãos Wright que eram americanos. O relógio de pulso já existia ao menos desde 1814 quando o relojoeiro suiço Bréguet teria feito um sob encomenda de Carolina Bonaparte. Assim, talvez a única invenção genuinamente brasileira seja a borda recheada de pizza. A autoria da borda recheada não é conhecida, contudo tenho absoluta certeza que foi uma pessoa gorda.


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JOGATINA – Um amigo da coluna, viciado em poker, foi recentemente numa cartomante para verificar se a onda de azar logo passaria. Conta ele que mal a cartomante abriu três cartas ele já se levantou dizendo que tava fora da rodada e saiu reclamando do flop.


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FRASES – Seguem dois trechos de um ensaio de teologia que pretendo publicar em breve: “Ao visitar certas localidades e assim conhecer a ‘beleza típica’ dos moradores de alguns fins de mundo é que podemos constatar o quão desabonadora é para Deus a afirmação bíblica de que Ele teria feito os homens à sua imagem e semelhança”.


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“Desenvolvo uma idéia de Thomas Pynchon para chegar à máxima de que é impossível tocar em Deus, mas é com muita boa vontade que a gente segue de todas as formas tentando apalpar algumas de suas criaturas (femininas é claro)”.