terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O trânsito, os imbecis, e a perigosa combinação de ambos (Parte 1 de 2)


Que o Brasil está repleto de imbecis, não é novidade. Que os problemas de mobilidade urbana estão tomando proporções quilométricas (trocadalho do carilho), isso também não surpreende a mais ninguém. Este texto visa somente mostrar que uma coisa está mais intimamente ligada com a outra do que vocês pensam, e que a solução pra acabar com os intermináveis congestionamentos é simples, porém, inexequível graças à falta de culhões e céLebro dos nossos governantes.

Com o perdão da palavra, o trânsito é uma merda. Em Florianópolis, uma cidade ridiculamente pequena pra uma Capital de Estado, temos congestionamentos dignos da Marginal Tietê em dia de enchentes. No período de férias de verão então, nem se fala − os paulistanos sentem-se em casa.

Os problemas do trânsito são agravados por uma série de fatores. Carros velhos circulando, asfalto em más condições, sinalização inexistente, aspectos climatológicos... tudo isso é fichinha perto do verdadeiro e derradeiro causador do trânsito: o elemento humano. Costumo dizer, otimista como sou, que o ser humano é uma merda. Pois um merda pilotando um automóvel não poderia criar nada diferente de um trânsito de merda. Pra tornar o cenário ainda mais apocalíptico, há imbecis ao volante. E os imbecis, meus amigos, são responsáveis por quase toda merdança espalhada neste país, inclusive o trânsito.

Antes de mais nada, é importante esclarecer o verdadeiro significado de “imbecil”. A imbecilidade é uma Oligofrenia moderada (do grego olígos = pouco; phrenós = espírito, inteligência), que designa casos de deficiência mental onde o indivíduo tem sua capacidade de aprendizado limitada. Estima-se que o QI de um imbecil situe-se na faixa dos 20 aos 50 pontos, o que não chega a ser um problema num país que tem o Lula como Presidente. O problema mesmo, é que o imbecil não tem freios morais que o permitam questionar suas próprias ações, o que pode torná-lo perigoso ao convívio social ou mesmo levá-lo a votar na Dilma. Mais de um milhão de imbecis em São Paulo elegeram Tiririca Deputado Federal. Enfim, a caracterização supra já deixa claros tanto o perfil quanto a quantidade existente nas terras tupiniquins.

Nota do autor: Certa vez propus à ONU que a qualidade de vida de um país não fosse mais medida pelo IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano. Um indicador mil vezes mais verossímil é o IDBIP, Índice Data-Base de Imbecilidade de um País. Sugeri, ainda, que os países que tivessem imbecis no seu comando, como o Brasil e os EUA (à época, Bush filho), não tivessem mais direito às suas cadeiras na ONU. O Secretário Geral Ban Ki-moon, um anão que deve ter sido escolhido para o cargo depois de um campeonato de StarCraft, respondeu-me simploriamente: “Mr. Data Base, since you understand so much about sex, why don’t you go fuck youself?

Eu achava que a quantidade de imbecis do Brasil não influenciasse tanto assim no tamanho dos engarrafamentos. Ledo engano.

O Código de Trânsito Brasileiro entrou em vigor em janeiro de 1998. Em seu artigo de número 150, estabelece que “Ao renovar os exames previstos no artigo anterior (que fala dos exames de habilitação), o condutor que não tenha curso de direção defensiva e primeiros socorros deverá a eles ser submetido, conforme normatização do CONTRAN.”. Quis o destino que semana passada eu me enquadrasse no art. 150 do CTB e lá fui eu rumo ao DETRAN de SC para proceder com a dita renovação. No dia anterior, li ambas as apostilas, o que demandou pelo menos 3 horas de dedicação parcial (eu assistia à TV e brincava com a minha filha ao mesmo tempo). Pura perda de tempo. Ao me deparar com a prova, veio-me a luz. Entendi instantaneamente porque os imbecis se proliferam no interior de veículos parados esperando ansiosamente por uma oportunidade de fazer alguma cagada.

Foram-me apresentadas questões complexas, tais como:

O procedimento de primeiros socorros, pra você, é:

a) Uma oportunidade de se tornar um heroi

Rolei de rir ao me deparar com esta:

Durante um acidente de trânsito com perigo de incêndio, você deve:

a) Fumar um cigarro para aliviar o stress

Pouco do que li nas apostilas foi cobrado na prova. Placas de trânsito? Nenhuma. Eles acham que uma vez aprovados, os motoristas jamais esquecerão o que significa aquela placa do triângulo vermelho invertido (). Não conheço ninguém que saiba, e olha que eu já dirijo há mais de 10 anos. A prova é toda teórica, e o exame médico, feito em 40 segundos, poderia ser feito pela internet.

Em resumo, nem o teste aplicado na obtenção da primeira Carteira Nacional de Habilitação, nem aquele aplicado na sua renovação, fazem uma avaliação apropriada de quem pode ou não-pode-de-jeito-nenhum dirigir. Como consequência da vista grossa do Estado, temos milhares de imbecis dirigindo. E como eles não sabem exatamente a diferença entre proibido e permitido, cria-se uma dependência cada vez maior do chamado “bom senso”. Aí, meus amigos, é que fode a porra toda.

O bom senso da Finlândia, por exemplo, pressupõe cordialidade no trânsito. O bom senso (?) do desgraçado do brasileiro é de que ele é mais esperto do que os demais e que está sempre certo, ou que sempre têm a preferência. Aqui em Florianópolis tem um local onde facilmente se identificam os imbecis. Na principal avenida da cidade, a “Beiramar”, há áreas de retiro pro pessoal estacionar pra caminhar, bebericar, ou ver um boquete que levou 30 minutos de negociação pra ser recebido interrompido por um assaltante. Durante os congestionamentos (das 7 da manhã às 10 da noite) imbecis entram nessas áreas e saem 100 metros adiante, forçando a reentrada na pista principal como se isso fosse mudar enormemente o seu tempo de deslocamento.

Eu já encontrei milhares de imbecis no trânsito. Uma vez tomei uma fechada de uma mulher num chevetão cor de abóbora. Eu não gosto de xingar com a janela aberta. A janela aberta sempre me remete a notícias de tiroteios nos engarrafamentos. Já com a janela fechada, eu xingo pra caralho. Desta vez, a cara de pau da moçoila foi tão grande que eu não resisti e abri a janela. Embora organizações internacionais e Associações de Portadores - como a UNICEF e a APAE – recomendem a utilização de termos como Portadores de Necessidades Especiais no lugar de expressões como cretino, idiota e imbecil, há momentos em que me furto dos bons hábitos sociais e não me privo de utilizar estas e outras expressões, que hodiernamente conotam ofensa, durante minhas atividades automobilísticas. Neste dia, as palavras escolhidas foram:

Palhaça! Pilantra! Piranha! Pau no cú! PUTA!

Ao que ela me respondeu:

Papa-mosca! Palerma! Parvo! Pateta! Papalvo! Pacóvio! Palúrdio! Pascácio! PATO!!!

Concluí, pelo meio de transporte precário e pelo vernáculo aplicado, que se tratava de uma professora de Português do ensino público. Tenho certeza. Meu Inglês pode ser ruim, mas no Português eu distrôu.

Semana que vem veremos alguns tipos de imbecis que brotam das trevas pra infernizar nossa vida no trânsito e a solução simples, rápida e fácil pra essa porra toda.

5 comentários:

  1. Proporcional ao tempo de espera pela estréia (verdadeira) de um texto do Data Base é a qualidade do manuscrito.
    Não dá pra ter esperança. Quem tem, não tem noção da realidade: o trânsito só vai piorar!
    Quanto ao cerumano, é preciso notar que há várias espécies deles soltas (algumas presas). Certamente devo ser de uma diferente, talvez menos desenvolvida, mas diferente.

    P.S.: eu sei o que o triângulo invertido quer dizer, mas não vou contar!

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  2. Data Base abrindo os posts de 2011 com a calma, paciência e tranquilidade de sempre! :)

    Certamente os congestionamentos do verão serviram de inspiração...

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  3. uhhhhhh triangulo invertido...

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